Mostrar mensagens com a etiqueta músicas da minha vida. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta músicas da minha vida. Mostrar todas as mensagens

domingo, 16 de março de 2014

Aquilo que não fizemos!!!





Decorridos estes anos de austeridade, sobrou deserto. Onde está a esperança? Na semana passada um rapaz de erasmus, italiano, dizia-me "Os portugueses são estranhos, parece que andam sempre zangados, cabisbaixos, se entra alguém de fora ninguém vai ter com ele." Eu percebi o rapaz. Há um cansaço e desalento nos portugueses que é castrador. Talvez se lhe tivesse mostrado esta música ele perceberia o nosso desânimo. Tiago Bettencourt é dos melhores músicos e compositores deste país, há muitos anos que gosto dele. Penso que qualquer português que oiça esta sua nova música não ficará indiferente. Mais uma vez, o seu génio toca-nos.

Aquilo que eu não fiz.


Eu não quero pagar 
Por aquilo que eu não fiz,
Não me fazem ver
Que a luta é pelo meu país.
Eu não quero pagar 
Depois de tudo o que dei, 
Não me fazem ver 
Que fui eu que errei. 
Não fui eu que gastei, 
Mais do que era para mim. 
Não fui eu que tirei, 
Não fui eu que comi, 
Não fui eu que comprei, 
Não fui eu que escondi, 
Quando estava a olhar,
Não fui eu que fugi. 
Não é essa a razão 
Para me quererem moldar. 
Porque eu não me escolhi
Para a fila do pão.
Este barco afundou, 
Houve alguém que o cegou,
Não fui eu que não vi.



Talvez do que não sei.
Talvez do que não vi.
Foi de mão para mão,
Mas não passou por mim.
E perdeu-se a razão,
Todo o bom se feriu.
(...) 
Não me falem do fim
se o caminho é mentir.
Se quiseram entrar,
Não souberam sair.
Não fui eu quem falhou,
Não fui eu quem cegou.
Já não sabem sair.

sábado, 1 de fevereiro de 2014

Autobiografia





Andava eu pelo YouTube a ouvir música e surge-me este vídeo, chamou-me a atenção e para meu espanto, sou eu... Pode ser pretensiosismo estúpido, mas creio que é o meu retrato. Com letra do músico e compositor José Mário Branco, esta versão recriada pelo Camané e pelos Dead Combo é lindíssima. E tal como diz a letra, que no fundo é um poema muito bonito, "cá dentro inquietação / inquietação/ Porquê não sei / porquê não sei ainda"  em mim há sempre este desassossego. Mas além da música, o vídeo está muito bem feito, espelhando todo este conflito interior. .
E sendo um rapaz da Literatura não posso deixar de referir que toda a música me faz lembrar a angústia do "Eu" vivida no Modernismo Português, a constante inquietação do "Eu" que consumiu Pessoa, Mário de Sá-Carneiro e Almada Negreiros, refiro ainda Cesário Verde, considerado Pré-Modernista e que ao qual imagino a inquietação de uma vida escrita em versos, por recusa convicta da prosa, que acabou ceifada aos 31 anos pela tuberculose.

Inquietação
 José Mário Branco

A contas com o bem que tu me fazes
A contas com o mal por que passei
Com tantas guerras que travei
Já não sei fazer as pazes

São flores aos milhões entre ruínas
Meu peito feito campo de batalha
Cada alvorada que me ensinas
Oiro em pó que o vento espalha

Cá dentro inquietação, inquietação
É só inquietação, inquietação
Porquê, não sei
Porquê, não sei
Porquê, não sei ainda

Há sempre qualquer coisa que está pra acontecer
Qualquer coisa que eu devia perceber
Porquê, não sei
Porquê, não sei
Porquê, não sei ainda

Ensinas-me fazer tantas perguntas
Na volta das respostas que eu trazia
Quantas promessas eu faria
Se as cumprisse todas juntas

Não largues esta mão no torvelinho
Pois falta sempre pouco para chegar
Eu não meti o barco ao mar
Pra ficar pelo caminho

Cá dentro inquietação, inquietação
É só inquietação, inquietação
Porquê, não sei
Porquê, não sei
Porquê, não sei ainda

Há sempre qualquer coisa que está pra acontecer
Qualquer coisa que eu devia perceber
Porquê, não sei
Porquê, não sei
Porquê, não sei ainda

Cá dentro inquietação, inquietação
É só inquietação, inquietação
Porquê, não sei
Mas sei
É que não sei ainda

Há sempre qualquer coisa que eu tenho que fazer
Qualquer coisa que eu devia resolver
Porquê, não sei
Mas sei
Que essa coisa é que é linda

segunda-feira, 13 de janeiro de 2014

As Coisas de que Eu Gosto - Simone de Oliveira



E chego ao 50.º post com esta maravilhosa música da Simone de Oliveira. Cada vez gosto mais dela, cada vez mais faz parte das "Coisas" que eu gosto. Das coisas que fui partilhando, aqui, ao longo dos últimos meses. Ainda bem que te temos, Simone!

quinta-feira, 5 de dezembro de 2013

Nouvelle Vague - In a Manner of Speaking






Tenho andado distante, infelizmente, os estudos, a faculdade e tudo o resto, pouco tempo me deixam para passar por aqui. Como me disse a minha querida professora de Filosofia uma vez: "Francisco, a vida é a sério!". E tem razão!
No entanto, venho cá hoje falar um pouco de música, ou melhor dizendo, falar um pouco de uma das minhas músicas favoritas (e uma das bandas musicais favoritas), das que pertencem ao grupo de músicas da minha vida. In a manner of speaking interpretada pelos Nouvelle Vague, banda francesa que quase exclusivamente interpreta covers de grandes clássicos, de há décadas atrás, tem para mim, uma das letras mais bonitas e que mais me toca, além da melodia da música.
Vou deixar um excerto da música e o link de uma tradução de pouca qualidade, em brasileiro, mas que serve perfeitamente para perceber o sentido da letra, para quem não domina o inglês: 

 http://letras.mus.br/nouvelle-vague/353449/traducao.html 

In a Manner of speaking     
I just want to say
That I could never forget the way
You told me everything
By saying nothing

In a manner of speaking
I don't understand
How love in silence becomes reprimand
But the way that i feel about you
Is beyond words

Oh give me the words
Give me the words
That tell me nothing
Ohohohoh give me the words
Give me the words
That tell me everything

E eu gosto desta música, por falar das palavras, por ser tão metafórica, mas tão verdadeira,  como às vezes se conta tudo, sem dizer nada, olhando, estando perto, ou como outras vezes, tanto falamos, com palavras que nada dizem....