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domingo, 16 de março de 2014

Aquilo que não fizemos!!!





Decorridos estes anos de austeridade, sobrou deserto. Onde está a esperança? Na semana passada um rapaz de erasmus, italiano, dizia-me "Os portugueses são estranhos, parece que andam sempre zangados, cabisbaixos, se entra alguém de fora ninguém vai ter com ele." Eu percebi o rapaz. Há um cansaço e desalento nos portugueses que é castrador. Talvez se lhe tivesse mostrado esta música ele perceberia o nosso desânimo. Tiago Bettencourt é dos melhores músicos e compositores deste país, há muitos anos que gosto dele. Penso que qualquer português que oiça esta sua nova música não ficará indiferente. Mais uma vez, o seu génio toca-nos.

Aquilo que eu não fiz.


Eu não quero pagar 
Por aquilo que eu não fiz,
Não me fazem ver
Que a luta é pelo meu país.
Eu não quero pagar 
Depois de tudo o que dei, 
Não me fazem ver 
Que fui eu que errei. 
Não fui eu que gastei, 
Mais do que era para mim. 
Não fui eu que tirei, 
Não fui eu que comi, 
Não fui eu que comprei, 
Não fui eu que escondi, 
Quando estava a olhar,
Não fui eu que fugi. 
Não é essa a razão 
Para me quererem moldar. 
Porque eu não me escolhi
Para a fila do pão.
Este barco afundou, 
Houve alguém que o cegou,
Não fui eu que não vi.



Talvez do que não sei.
Talvez do que não vi.
Foi de mão para mão,
Mas não passou por mim.
E perdeu-se a razão,
Todo o bom se feriu.
(...) 
Não me falem do fim
se o caminho é mentir.
Se quiseram entrar,
Não souberam sair.
Não fui eu quem falhou,
Não fui eu quem cegou.
Já não sabem sair.

quinta-feira, 18 de julho de 2013

A última batalha de Soares!


        


 Antes de começar, não posso deixar de referir o devido respeito que nutro pela figura do Dr. Mário Soares e o reconhecimento inequívoco do seu papel na vida democrática de Portugal.
         Contudo, não posso deixar de censurar a sua postura nos últimos dois anos e a forma como tenta exercer pressão quer sobre o seu partido, quer sobre os órgãos de soberania e a sociedade civil.
         Soares assumiu desde cedo que a sua maior prioridade é derrubar o Governo de Pedro Passos Coelho. Posto isto, de  tudo tem feito para o conseguir, desprestigiando-se por vezes, com posições e discursos inflamados e demagógicos que em nada contribuem para o bem do país e para um diálogo  frutífero sobre a situação nacional.
         Vivemos tempos de extrema dificuldade e o presente governo tem tomado medidas altamente impopulares, algumas absolutamente necessárias, outras, mais questionáveis.  Contudo, aquilo que desgastou o governo e o desacreditou junto das pessoas, não creio que tenham sido tanto as medidas, mas a forma desastrosa de as comunicar, o extremismo com que assumiram algumas posições, a inexperiência que o Primeiro Ministro e alguns ministros revelaram na condução das suas pastas, a descoordenação política e por fim, a queda para o mediatismo e para o protagonismo individual que  alguns ministros evidenciaram, começando com Miguel Relvas fazendo uma declaração pública  de demissão muito contrastante para quem não tinha forças anímicas, seguindo-se da carta de Vítor Gaspar, absolutamente ridícula e censurável para quem fora Ministro de Estado e deveria revelar sentido de Estado e por último, o deplorável espectáculo de Paulo Portas com a sua carta de irrevogabilidade.
         Tudo isto deve ser alvo de censura, obviamente. Porque revela o desnorte dos nossos políticos  e o desrespeito  e despudor perante todos os portugueses que ao longo destes dois anos, têm suportado pacientemente e ainda que com muita dificuldade as mais diversas adversidades : brutal aumento de impostos, perda do poder de compra, desemprego, entre outras.
         Todavia toda esta calma não advém de poderosas capacidades de abstração do povo lusitano, mas sim da crença que muito daquilo que está a ser decidido é inevitável. E é aqui que a demagogia dos partidos os fere brutalmente.
É ÓBVIO que temos de cortar na despesa, ÓBVIO. E o PS aperceber-se-á , se não percebeu já, que o seu discurso anti-austeridade e facilitista não tem aderência à realidade. Seguro até agora, revelou-se um vazio de ideias, apenas propôs duas coisas tão vagas e incertas que não convenceram ninguém: negociar com a Europa melhores condições e mais dinheiro e menos juros. Contudo, sejamos francos, se isto fosse tão fácil e exequível não estaria já resolvido? Pois é, Seguro quer ser Primeiro-Ministro com base na boa vontade da Europa e isso é como tentar conter um punhado de areia numa peneira. Pior, é ser demagógico, porque desenganem-se que tudo isto resulta de uma posição de subserviência de Passos Coelho a Merkel, pois recordo que Sócrates também a tinha. E todos na Europa a têm, até o delfim François Hollande que prometia salvar a Europa e nem o seu país parece ser capaz de salvar.
         Também o PSD foi vítima da demagogia partindo para eleições em 2011 dizendo que bastaria cortar nas gorduras do Estado, apontando gastos excessivos com gabinetes, frota do Estado e Parcerias Público-Privadas, (PPP's) entre outros. Só  que isso não representa o grosso da despesa. E agora quando é necessário mexer no Estado Social e reformar o Estado, o PSD fica sem chão, porque prometeu um caminho de corte fácil, que não é suficiente. E ainda que já tenha cortado muito, cerca de 10 mil milhões de Euros na despesa pública do Estado, o que é óptimo, renegociando PPP's e as rendas excessivas no sector eléctrico, parando obras desnecessárias, cortando em áreas apontadas na campanha eleitoral, entre outras medidas, chegou a altura de cortar onde é mais difícil e depois de tanto ter aumentado impostos, alguns deles, como o caso do IVA na restauração, que representa um erro CRASSO na política económica do governo e que gerou imenso desemprego, há um enorme atrito a tudo o que é anunciado pelo governo.
         Alguns especialistas e analistas, apontam que o nosso País tem de ter uma despesa pública de cerca de 70 mil milhões de Euros para que consiga ser suportada pela Economia que temos, e em 2011, o valor da despesa era de 90 mil milhões. Até agora, o governo já cortou 10 mil milhões e a guerra que se trava hoje, é pelo corte de mais 4.700 mil milhões de Euros.
         Penso que é inevitável, com um Estado Social construído em toda a Europa com base num crescimento anual de cerca de 6% do PIB algo que não se verifica a algumas décadas e em Portugal, muito menos, na última década crescemos cerca de 1%; com um país e com uma Europa desindustrializados e com débeis níveis de crescimento  e altos níveis de desemprego, torna-se absolutamente necessário ajustarmos o nosso Estado Social e as funções do Estado. Contudo, defendo que tem de ser algo bem estudado e programado, não podem ser cortes cegos, feitos num ano. E  é esta questão que faz com que os Partidos se tenham de unir, como apelou o Presidente da República.
         Independentemente da crise política que se gerou na maioria parlamentar e que em situações normais, mereceria a dissolução do parlamento, a generalidade das pessoas entende que eleições antecipadas não seriam a melhor opção. E de facto, não seriam, porque o PS ainda não está preparado para governar, porque a Reforma do Estado tem de ser feita e tem de haver estabilidade nos próximos anos, para retomarmos o crescimento e efectuarmos reformas estruturais. Assim, têm de se criar compromissos entre os vários partidos, que assegurem que certos pilares serão respeitados e seguidos, sejam quais forem os partidos que estejam no governo.
         Desta feita, acho inadmissível que Mário Soares venha agora pressionar António José Seguro com uma possível cisão no Partido Socialista e dizendo que "ficaria muito chateado" com um possível acordo. É profundamente lamentável. Tudo tem de mudar Dr. Mário Soares e se tiverem de haver cisões nos vários partidos da governação, se surgirem novos partidos e se os mesmos se abrirem à sociedade civil (o que mais tarde ou mais cedo, acontecerá), é sinal que a democracia está a crescer e a ser mais exigente.
         Não sei qual será o desfecho destas negociações, mas não posso deixar de elogiar a postura de António José Seguro, que  soube estar à altura do que lhe era pedido e teve a maturidade suficiente para entrar no diálogo e enfrentar o Partido, a bem do país.
         Mário Soares tem de entender que o seu tempo acabou. O eterno líder do PS deixou de o ser, Mário Soares já não é mais líder partidário, já não é mais Primeiro-Ministro ou Presidente da República. Não lhe cabe a ele definir o que Partido Socialista faz, condicionar a acção do secretário geral do Partido e dizer ao Primeiro-Ministro e ao Presidente da República o que hão-de fazer. Há um desespero em Mário Soares, que além de ser triste, só lhe retira a credibilidade. Vejamos a sequência de acontecimentos -  falta às cerimónias do 25 de Abril por protesto contra o Governo, sendo um antigo Presidente da República tem o dever de saber que essas cerimónias, são de carácter parlamentar e onde o governo nem faz uso da palavra, assim, só fortaleceu ainda mais o governo, dando-lhe protagonismo numa situação onde não o tinha; de seguida, cria uma convenção de todas as esquerdas onde tenta criar uma coligação dos partidos à esquerda, para um possível governo, mas António José Seguro desmarca-se (e bem!) e nem comparece à iniciativa; seguem-se declarações ridículas onde diz temer pela vida de Cavaco e Passos Coelho, pois por muito menos, Sidónio Pais foi assassinado e por último, não posso deixar de referir a tentativa falhada de sedução que iniciou a Paulo Portas e ao CDS, começando por dizer que Paulo Portas tinha sido humilhado pelo governo, que merecia consideração e que estava a ser chantageado, tese que acabou no momento em que Portas aceita ser vice-primeiro-ministro, algo que o irritou profundamente e que o fez baptizá-lo de "salta-pocinhas".
         Tudo isto é lamentável. Num momento tão delicado que se vive desde a entrada da Troika em Portugal, com tanto ruído e com uma necessidade enorme de sensatez naquilo que se diz, Mário Soares, vem a cada dia desbaratar ainda mais a sua figura de Senador da República e assim, revela, em detrimento da postura oposta e sábia de Jorge Sampaio, que se tem revelado profundamente sensato naquilo que defende e um grande Estadista, que não sabe exercer da melhor forma o papel de Senador da República, pois ainda não entendeu que é altura de se retirar do ringue e deixar que os seus "filhos" e "netos" combatam. 
         O seu papel exige recato, Ramalho Eanes e Jorge Sampaio bem o sabem, pois afinal de contas, como o povo diz "a mesma água não passa duas vezes pelo mesmo moinho" e a miríade de declarações de Mário Soares em nada ajudam o país e só lhe retiram a força e a credibilidade que por direito lhe eram reconhecidas.
         Temo que esteja a ficar sozinho no seu campo de batalha e que a sua cruzada contra o governo já não seja sequer a prioridade do seu partido. Pois até o seu partido, já percebeu que o que se vive e o que nos é exigido a todos e ainda mais aos responsáveis políticos, ultrapassa e muito a vida deste governo e exige o  compromisso e o esforço mútuo de todos. Por conseguinte, por muito que não se goste deste governo e há razões para isso, a solução não passa pela queda imediata dele e pela eleição do PS com um programa cheio de facilidades e utopias, porque seria uma fraude. Nada será fácil e Mário Soares não conseguiu vingar com a sua ideia  de que basta Passos Coelho cair e tudo ficará bem. O governo irá cair seja daqui a um ano, seja em 2015, mas penso que Mário Soares não poderá reclamar vitória de nada, pois escapou-se-lhe das mãos qualquer hipótese de protagonismo. Quando acontecer, acontecerá porque assim tinha de ser e talvez aí, perceba que desperdiçou muito da sua figura ao descer a um patamar do qual já se tinha elevado.

quarta-feira, 10 de abril de 2013

Margaret Thatcher - O legado


Margaret Thatcher ( 13 de Outubro de 1925 - 08 de Abril de 2013)



Na segunda-feira passada, dia 08 de Abril de 2013, faleceu uma das maiores referências políticas do Mundo Ocidental. Margaret Thatcher revolucionou para sempre o Reino Unido, a Política e o Mundo. Filha de um merceeiro, desde muito nova foi-lhe incutido o espírito de trabalho, a noção de que se tinha de ter iniciativa própria e de que não se podia esperar pela ajuda de outrem para se progredir na vida. Teve uma educação austera, estudou em Oxford onde se licenciou em Química.
Mas Margaret Roberts,  assim se chamava em solteira, sempre se sentiu fascinada pela política, pelos discursos que o seu pai fazia enquanto político local em Grantham e embora, todos lhe dissessem que a política era algo vedado às mulheres, não se convenceu.
Tentou algumas vezes tornar-se deputada no Parlamento Inglês, nomeadamente, em 1950 e 1951, mas não conseguiu reunir votos suficientes. Embora na segunda eleição tenha aumentado e muito o número de votos, tendo sido a segunda candidata mais votada.
Entretanto, casou-se com o empresário Denis Thatcher em 1951, com quem teve dois gémeos, Carol e Mark em 1953. Graças a este casamento, Margaret Thatcher conseguiu obter sustento durante as suas iniciativas políticas e pôde também mais tarde licenciar-se em Direito. Mas que não se pense que foi um casamento por interesse, ao longo dos anos muitos foram os momentos em que o casal testemunhou o seu amor e a sua forte ligação. (Figura 1)

Figura 1

Margaret subiu a pulso e tornou-se deputada no Parlamento Inglês, tendo lutado contra a hostilidade dos cavalheiros que a menosprezavam e subestimavam as suas qualidades intelectuais e políticas.
Mesmo dentro do seu partido, do início ao fim, nunca reuniu consenso e houve sempre quem não a aceitasse e a desvalorizasse. Em 1970, Edward Heath líder do Partido Conservador vence as eleições e forma governo, convidando-a para Ministra da Educação. No entanto, Edward Heath nunca gostou de Margaret Thatcher e desde logo a avisou para ser discreta no exercício das suas funções, o que não se verificou. Thatcher ficou conhecida como sendo uma guerreira na luta pelas suas ideias e opções e mesmo como Ministra da Educação sempre batalhou nesse sentido, o que não seria muito bem entendido pelo Primeiro-Ministro Edward Heath que durante o seu mandato enfrentou inúmeras greves e paralisações sectoriais, como foi o caso da greve dos mineiros. No entanto, enquanto todo o governo pensava que a melhor forma de lidar com estas manifestações seria aceder às exigências sindicais, Margaret Thatcher defendia que se devia fazer o oposto, enfrentando os sindicatos e assumindo uma postura firme na condução da política do governo. Não foi ouvida e entre várias dificuldades que o governo viveu, como os embargos petrolíferos em 1973, Edward Heath perde as eleições em 1974, passando a líder da oposição.
E como líder da oposição, Edward Heath era cada vez mais contestado e não era visto como o melhor líder do Partido Conservador, num momento de enorme crise no país.
Assim, Margaret Thatcher avança em 1975 para liderança do partido e vence as eleições, na primeira volta derrotando Edward Heath e na segunda volta, derrotando outro candidato e favorito de Heath - William Whitelaw. Torna-se então, líder do Partido Conservador a 11 de Fevereiro de 1975, tornando-se a primeira mulher a liderar um grande partido na Europa. (Figura 2)

Figura 2

Durante o tempo na oposição, foi uma líder feroz, assumindo posições neoliberais, defendendo a luta contra os sindicatos, a redução do peso do Estado na Economia, etc. Tudo isto, fez com quem muitas vezes não fosse aceite e tivesse níveis de popularidade muito baixos. Mesmo assim,  a 4 de Maio de 1979, Margaret Thatcher vence eleições com uma larga maioria e torna-se Primeira-Ministra, sendo pioneira mais uma vez como mulher neste cargo, em todo o mundo ocidental. (Figura 3)

Figura 3

Thatcher encontra um país em sérias dificuldades, considerado o "homem doente" da Europa. Altos níveis de desemprego, uma economia agonizada, a libra em queda, a inflação galopante, uma indústria ineficiente e uma enorme contestação social. Assim, contra tudo e todos, Margaret Thatcher  recusou-se ao simples papel de gerir o declínio do país e em vez disso enveredou por um duro caminho de austeridade com vista à recuperação da grandeza de outrora do Reino Unido, reduzindo o peso do Estado na Economia,  fechando todas as unidades industriais ineficientes, reduzindo a inflação e os benefícios sociais, etc. Muitos a criticaram, alguns ministros do seu governo tentaram demovê-la, mas para ela "apesar do remédio ser amargo, o doente precisa dele" e assim prosseguiu a sua política, conseguindo recuperar a Economia do seu país.
Também ficou conhecida por ter declarado guerra à Argentina pela ocupação das Ilhas Malvinas em 1982. Mesmo sendo os EUA aliados do Reino Unido, tentaram demovê-la dizendo que era escusado lançar uma guerra por um território tão longínquo e insignificante. Aí Thatcher relembrou aos EUA que o Hawai também era um território idêntico e que os EUA responderam contra os ataques japoneses em Pearl Harbor em 1941, deixando-os desarmados. E tendo-se proposto a combater a Argentina e recuperar a soberania sob as Malvinas, Thatcher saiu vencedora.
Margaret Thatcher também foi apelidada pelos russos de "Dama de Ferro" pela sua persistência e obstinação, o que mais tarde viria a revelar-se decisivo para o fim da Guerra Fria.
            Thatcher sairia do cargo de Primeira-Ministra a 22 de Novembro de 1990 pela mão do seu próprio partido. Ao longo dos anos e apesar de muitos sucessos, a sua obstinação e firmeza, as críticas de insensibilidade social e de prepotência fizeram com que o Partido Conservador quisesse mudar de líder com o objectivo de não perder as eleições seguintes. Deste modo, o partido convocou eleições internas às quais Margaret Thatcher venceu na primeira volta com uma ligeira maioria, sendo obrigada a ir a uma segunda volta. Consciente das suas condições e da previsível derrota na segunda volta, Margaret Thatcher renuncia ao cargo de Primeira-Ministra, saindo de Downing Street lavada em lágrimas e não escondendo a mágoa e a revolta de ter sido afastada não pelo povo, em eleições, mas sim pelos interesses do seu partido. No fundo, houve conservadores que nunca aceitaram a filha do merceeiro... (Figura 4)

Figura 4



            Saltando agora os aspectos biográficos, devo dizer que tenho uma profunda admiração por esta grande senhora e política. Quer se goste ou não dela, temos de reconhecer que Margaret Thatcher mudou o Mundo e foi uma visionária. Juntamente com Ronald Reagan (Figura 5) fundou o modelo económico instaurado no Ocidente, até aos dias de hoje, baseado na Economia de Livre Mercado, uma economia onde os mercados se auto-regulam. E apesar deste aspecto poder estar na base das crises financeiras que se vivem actualmente, permitiu durante muitos anos, prosperidade económica. Admito que se possa estar a fechar o ciclo, pois tudo tem um tempo, seja em política ou economia. 
           

Figura 5



"O remédio é amargo mas o paciente precisa dele"
Também neste momento, a crise que se vive em Portugal, as decisões políticas que são necessária, fazem lembrar a Inglaterra que esperava Margaret Thatcher em 1979. Seria bom que tivéssemos alguém na condução dos destinos do país com a determinação dela, na reforma do Estado Social e na redução do Estado na Economia, só assim o Estado consumirá menos recursos financeiros, nomeadamente crédito destinado às empresas, permitindo um maior acesso às empresas privadas, muitas delas PME's, que representam mais de 90% do tecido empresarial português. Só assim se poderá gerar emprego, além de ser necessário cortar na despesa do Estado. Este cortes, actualmente, muito contestados são ABSOLUTAMENTE necessários para que se possa reduzir o nível de fiscalidade aplicado aos contribuintes portugueses, ou seja, baixar os impostos e só assim, o Estado terá menos necessidades de financiamento. Veja-se o exemplo da Inglaterra - só com esta receita conseguiu recuperar economicamente.
           

Por último, creio que Margaret Thatcher criticou muitas vezes a União Europeia porque sabia que o caminho traçado não era o melhor. Thatcher conseguiu ter uma visão muito alongada do que iria acontecer e a crise europeia e das suas instituições que se vive hoje, foi muitas vezes anunciada por ela. Penso até, que faz falta na Europa alguém como Margaret Thatcher, firme e determinada, sem medo  de ser incómoda, alguém inteligente e com visão política, com noção do rumo que toma e como uma posição clara, bem argumentada e atempada, não uma líder como Angela Merkel, sem visão, sem rumo, demasiado preocupada com a imagem, sem carisma político e sem noção das diferenças que separam cada país europeu e que tornam cada país único. É a grande diferença de Angela Merkel e Margaret Thatcher, enquanto que Merkel quer copiar a realidade alemã para os países em dificuldades, Thatcher era uma defensora de uma austeridade inteligente e pormenorizada a par do crescimento económico e uma profunda conhecedora das diferenças entre países. Aliás dentro da sua ideologia política Thatcher dizia que o slogan "somos todos iguais" era demasiado redutor, pois para ela somos todos diferentes e é nessa diferença que reside o sucesso e a capacidade de nos interligarmos todos na busca do sucesso. (Figura 6)

Figura 6

Para reflectirmos acerca da visão dela sobre a Europa, vou deixar um excerto da sua obra  A Arte de Bem Governar editada em 2002 (Figura 7), onde poderemos ver o quanto a sua visão é actual:

"A Europa é, realmente, um Estado ou um império de pernas para o ar. Falta-lhe tanto da substância que está na base da solidez das fundações de um Estado ou de uma potência imperial, que só consegue subsistir através da satisfação de interesses instalados, cada vez mais poderosos. Basta deambular um pouco através da prosa europeia que enforma as directivas, as circulares, os relatórios, os comunicados e os debates "parlamentares", para se perceber que, na verdade, Europa é sinónimo de burocracia. É um governo da burocracia para a burocracia, a que se poderia acrescentar "pela" burocracia, "com" burocracia, etc. (...) Não: o que faz da Europa o supra-sumo da burocracia é o facto de que, em última análise, nada mais tem que a sustente.
As estruturas, os planos e os programas da União Europeia encontram em si mesmos a razão da sua própria existência. A Europa é uma variante da asserção cartesiana "Penso, logo existo", modificada para "Eu existo, logo eu faço" (...) "


Figura 7

Muito fica por dizer sobre Margaret Thatcher, no entanto, não estando impedido de voltar a escrever sobre ela, deixo aqui o meu contributo para recordar o percurso desta GRANDE senhora.