Ontem decidi rever mais uma vez o
filme Frida realizado por Julie Taymor
e com as participações de Selma Hayek, protagonizando o filme no papel de Frida
Kahlo; Alfred Molina no papel do pintor Diogo Rivera; Geoffrey Rush no papel de
Leon Trotsky e ainda Antonio Banderas como David Siqueiros.
Sim, decidi rever, porque eu sou
daqueles apaixonados por cinema, que vê e revê os mesmos filmes, inúmeras
vezes. Há sempre algo novo de cada vez que se os vê, um pormenor que tinha
escapado, acreditam? E aqui, neste caso, além de ter gostado bastante das
prestações de Selma Hayek, Alfred
Molina e de um dos meus actores preferidos, Geoffrey Rush, o filme faz-me
entrar no mundo, de uma forma ficcionada, da verdadeira Frida Kahlo.
Sou genuinamente fascinado nela.
Frida é de tal maneira densa, apaixonante, irreverente e genuína, que é
impossível não gostar dela. Tudo nela é vida. Só pode ser assim. Vejamos, aos
18 anos sofre um acidente no eléctrico onde seguia, tendo ficado com lesões
gravíssimas na coluna, impossibilitada de andar e meses imobilizada, a
violência do acidente foi tal, que um ferro do eléctrico atravessou-lhe as costas, passando-lhe pela
pélvis e perfurando-lhe a vagina. Enquanto está acamada, vai pintando quadros
na sua cama, recupera o andar e sempre a
coxear vai seguindo a sua vida, com momentos dolorosos, usando coletes
ortopédicos, talas, entre outras coisas. Casa-se com o pintor e político
comunista Diogo Rivera e ao engravidar, não consegue levar a gravidez ao seu
término, perde o bebé e nunca consegue ter filhos, pois devido ao acidente em
jovem, o seu corpo e o seu útero não reuniam condições para aguentar uma
gravidez. Por fim, já no final da sua vida, acaba por ver uma das suas pernas
ser amputada, devido a vários problemas sanguíneos.
Frida Kahlo sofreu toda a vida, teve
imensas dores, imensas tristezas e ainda tinha a infelicidade de ter que lidar
com as constantes traições do seu marido. Mas Frida nunca se ficou. Frida viveu
muito, pintou genialmente, dançou, bebeu muita tequila, cantou, foi política
revolucionária, uma comunista, amou o marido, dormiu com mulheres, beijou-as,
foi atrevida, sensual, totalmente desalinhada.
Pessoalmente, pouco percebo de
pintura e nem sempre é fácil interpretar os quadros dos mais diversos pintores,
mas os de Frida, são maravilhosos. É, talvez, a minha pintora favorita. Destaco
um dos quadros dela intitulado "unos cuantos piquetitos" que acho
delicioso, porque Frida usa a ironia nele, uma vez que se inspira numa notícia
de um marido que esfaqueou a mulher até à morte, mas que disse ao juíz que só
lhe tinha dado alguns beliscões. Genial!
E para terminar,
deixo também uma das melhores cenas do filme, onde podemos ver Frida (Selma
Hayek) a desafiar uma bela jornalista - Tina (Ashley Judd) para dançar o tango,
em vez de dois homens , Diogo Rivera e David Siqueiros que estão numa disputa
para resolver um conflito, onde quem conseguir beber o maior golo de tequila
dança com Tina, acabando por ser ultrapassados por Frida. E vencendo, dança
sensualmente, conduzindo o seu par e terminando a dança como um autêntico
cavalheiro. (Atenção que este é um excerto do filme dobrado em Italiano).
