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sábado, 1 de fevereiro de 2014

Autobiografia





Andava eu pelo YouTube a ouvir música e surge-me este vídeo, chamou-me a atenção e para meu espanto, sou eu... Pode ser pretensiosismo estúpido, mas creio que é o meu retrato. Com letra do músico e compositor José Mário Branco, esta versão recriada pelo Camané e pelos Dead Combo é lindíssima. E tal como diz a letra, que no fundo é um poema muito bonito, "cá dentro inquietação / inquietação/ Porquê não sei / porquê não sei ainda"  em mim há sempre este desassossego. Mas além da música, o vídeo está muito bem feito, espelhando todo este conflito interior. .
E sendo um rapaz da Literatura não posso deixar de referir que toda a música me faz lembrar a angústia do "Eu" vivida no Modernismo Português, a constante inquietação do "Eu" que consumiu Pessoa, Mário de Sá-Carneiro e Almada Negreiros, refiro ainda Cesário Verde, considerado Pré-Modernista e que ao qual imagino a inquietação de uma vida escrita em versos, por recusa convicta da prosa, que acabou ceifada aos 31 anos pela tuberculose.

Inquietação
 José Mário Branco

A contas com o bem que tu me fazes
A contas com o mal por que passei
Com tantas guerras que travei
Já não sei fazer as pazes

São flores aos milhões entre ruínas
Meu peito feito campo de batalha
Cada alvorada que me ensinas
Oiro em pó que o vento espalha

Cá dentro inquietação, inquietação
É só inquietação, inquietação
Porquê, não sei
Porquê, não sei
Porquê, não sei ainda

Há sempre qualquer coisa que está pra acontecer
Qualquer coisa que eu devia perceber
Porquê, não sei
Porquê, não sei
Porquê, não sei ainda

Ensinas-me fazer tantas perguntas
Na volta das respostas que eu trazia
Quantas promessas eu faria
Se as cumprisse todas juntas

Não largues esta mão no torvelinho
Pois falta sempre pouco para chegar
Eu não meti o barco ao mar
Pra ficar pelo caminho

Cá dentro inquietação, inquietação
É só inquietação, inquietação
Porquê, não sei
Porquê, não sei
Porquê, não sei ainda

Há sempre qualquer coisa que está pra acontecer
Qualquer coisa que eu devia perceber
Porquê, não sei
Porquê, não sei
Porquê, não sei ainda

Cá dentro inquietação, inquietação
É só inquietação, inquietação
Porquê, não sei
Mas sei
É que não sei ainda

Há sempre qualquer coisa que eu tenho que fazer
Qualquer coisa que eu devia resolver
Porquê, não sei
Mas sei
Que essa coisa é que é linda